Cheguei em Florianópolis e resolvi ficar em um hostel no centro, com diária de R$ 70. Cheguei cedo demais para o check-in, mas a recepção resolveu o essencial: deixei a mochila guardada em um locker. Usei meu próprio cadeado, o mesmo que estou usando nos armários das Smart Fit ao longo da viagem. Armário número 4.
A anfitriã me explicou que eu poderia voltar a partir da 1h da tarde, quando o quarto e a cama estariam disponíveis. Até lá, a cidade estava aberta — e eu também.
Antes de sair, perguntei sobre feiras. Ela me disse que o Mercado Municipal de Florianópolis era o único lugar que ela sabia que “tinha feira”. Comentou também que as informações sobre feiras na cidade são desencontradas, inclusive as divulgadas pela própria prefeitura.
É exatamente esse tipo de desencontro que eu uso para construir o Feirou.
É daí que nasce o mapa. É aí que o projeto se justifica.
Como eu tinha tempo até o horário do check-in, resolvi ir andando. Segui pela Rua Hercílio Luz, uma rua arborizada, com ciclovia, agradável de caminhar, dessas que fazem a gente diminuir o passo sem perceber. Fui até o final dela, onde começa uma região com muitos bares — ainda fechados naquele horário, mas claramente uma área boêmia, viva, de outro ritmo.
Virando à direita, cheguei ao Mercado Municipal de Florianópolis.
Dei aquela visitada básica, mas necessária. É um mercado que eu já conhecia, mas que sempre revela algo novo quando a gente olha com mais calma. Ali funciona uma feira permanente, com legumes, frutas, biscoitos e outros produtos alimentares, além de muito artesanato.
Conheci também uma casa de artesanato de Santa Catarina, quase um museu vivo do fazer manual do estado. Passei pelo Museu de Santa Catarina, aquele prédio de paredes rosadas que chama atenção logo de longe, e por uma loja dedicada a imagens religiosas — com santos católicos e também estátuas de religiões de matriz africana.
Caminhei ainda por uma região com um pequeno shopping e muitas paredes cobertas de grafites. Muitos mesmo. Centenas. Um acúmulo de camadas visuais que ajudam a contar a cidade para quem anda a pé.
Usei esse tempo para caminhar sem pressa, observar, registrar e deixar a manhã passar até chegar o horário combinado com a anfitriã do hostel. Aproveitei também para tomar um café da manhã simples: pão com ovo e um café quente.
Agora volto para o hostel. Vou ver o que acontece a partir daqui: se fico por lá trabalhando, tomo banho, lavo algumas roupas ou reorganizo os próximos passos da viagem.
Florianópolis começa assim: mochila guardada, cidade percorrida a pé e informação em trânsito.




