Cheguei em Porto Alegre por volta das cinco e pouca da manhã. Cheguei meio desnorteado.
Essa viagem eu realmente capotei. Não acordei nem na parada. Foi uma viagem de cerca de seis horas, muito parecida com as que eu faço com frequência entre São Paulo e Rio de Janeiro, quase uma vez por mês. Esse tipo de trajeto eu já conheço bem. Normalmente, acordo na parada. Dessa vez, não.
Dormi direto.
Só fui acordar em um lugar chamado Osório. Quando acordei, fiquei na dúvida se já tinha passado de Porto Alegre. Olhei melhor, entendi que ainda faltava cerca de uma hora e vinte para chegar. Voltei a dormir. Acordei de novo já em Porto Alegre, ainda confuso, tentando entender se aquele era mesmo o meu destino.
Desci na rodoviária e fui direto ver a passagem para o Mato Grosso. Consegui uma apenas para o dia seguinte, às 11h da manhã. Tinha outra opção para o mesmo dia, ao meio-dia, mas resolvi não comprar. Preferi garantir que conseguiria fazer o que precisava fazer ali: filmar uma feira.
E deu certo.
Consegui ir até a Feira da Praça Japão, e a feira estava acontecendo. Foi um alívio e uma alegria depois dos desencontros das últimas cidades.
Conversei com alguns feirantes, que me explicaram algo muito interessante sobre a organização das feiras em Porto Alegre. Aqui, as feiras são divididas por grupos. Existe o chamado Grupo Modelo, que reúne oito feiras, e a Feira da Praça Japão faz parte do Grupo 4.
Eles me passaram inclusive os perfis no Instagram do Grupo 4 e do Grupo Modelo. Ter esse contato direto, entender como a organização funciona por dentro, é exatamente o tipo de coisa que o Feirou busca registrar. Informação que não está em site oficial, mas que faz toda a diferença.
Fiz algumas entrevistas. A receptividade dos feirantes foi ótima. Gente aberta, curiosa com o projeto, disposta a conversar.
A Praça Japão é muito bonita. A rua é de pedras — não paralelepípedo — mas pedras irregulares, em tons avermelhados e cinza, que dão um caráter especial ao espaço. A pracinha é agradável, bem cuidada, e a feira encaixa ali com naturalidade. Tudo funcionou. Foi simples, direto e verdadeiro.
Agora, sigo de volta para a rodoviária. Vou tentar trocar a passagem que comprei para amanhã por uma para hoje ao meio-dia. Não sei se vou conseguir, mas faz parte da dinâmica da estrada.
Porto Alegre começou assim: chegada dormindo, feira acontecendo e plano em movimento.
Seguimos.
