Aqui em Porto Alegre, tudo teria dado certo desde o começo… se não fosse a minha dúvida se tudo daria certo.
Assim que cheguei, fui direto aos guichês das companhias de ônibus na rodoviária. Existe ali um guichê que parece centralizar as informações, quase como um guichê “estadual”. Não sei exatamente como funciona, mas foi ali que comecei.
Perguntei se havia passagem para Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, ainda naquele dia. A resposta foi direta: só havia uma passagem para meio-dia.
E aí veio o medo.
Fiquei com receio de não dar tempo de fazer tudo: ir à feira, filmar, tomar banho na academia e voltar para a rodoviária a tempo de encarar uma viagem de 20 horas. Com esse medo, acabei comprando uma passagem para o dia seguinte, às 11h da manhã, como garantia.
Só que a realidade foi outra.
Tudo deu certo.
Consegui ir à Feira da Praça Japão, uma feira linda, numa praça maravilhosa. A rua tem um chão de pedras muito bonito, com tons avermelhados, diferente de paralelepípedo, bem característico. A feira encaixa perfeitamente ali.
Conversei com os feirantes, filmei, registrei. Eles me explicaram como funciona a organização das feiras em Porto Alegre. Aqui, as feiras são divididas em grupos. Existe o chamado Grupo Modelo, que reúne cerca de 40 feiras, organizadas em nove grupos diferentes. A feira da Praça Japão faz parte do Grupo 4.
Além disso, existe o grupo Mercadão, que funciona de outra forma. Pelo que entendi nas conversas, as feiras do Grupo Modelo trabalham mais no esquema direto do produtor para o consumidor, enquanto as feiras do Mercadão têm feirantes que buscam seus produtos no Ceasa. São dois modelos distintos, convivendo na mesma cidade.
Depois da feira, fiz exatamente o que estava no plano: tomei um café da manhã de feira — pastel com caldo de cana com limão — e fui direto para a academia tomar banho.
Tudo fluiu.
Consegui voltar para a rodoviária por volta das 11h30. Se eu não tivesse comprado a passagem do dia seguinte, teria conseguido embarcar hoje. Mas eu já tinha garantido a de amanhã, movido pelo medo de não dar tempo.
Tentei trocar a passagem.
Não deu.
Descobri que a troca não podia ser feita naquele guichê central. Tinha que ser diretamente na empresa Ouro e Prata. Fui até lá. A resposta foi clara: não havia mais passagem para hoje. Na verdade, segundo a atendente, todas as passagens para Campo Grande estavam esgotadas em todos os horários. Ela ainda comentou que eu dei sorte de ter comprado uma das últimas para amanhã, às 11h.
Resultado: vou ter que ficar em Porto Alegre hoje.
No fim das contas, não foi um problema. Recebi algumas mensagens no Instagram do Presidente da Feira do grupo Mercadão Daniel Anzolin, convidando para visitar as feiras deles. Vamos ver se dá certo. Se tiver feira hoje ou amanhã de manhã, vai dar para ir. Ele falou da feira da Medianeira, acho que vou lá.
Porto Alegre me ensinou mais uma vez: às vezes, a única coisa que quase atrapalha tudo é a dúvida antes do fato.
O resto, quando é para dar certo, dá.
Seguimos.
