Às vezes, a vida entrega mais do que a gente planeja e é quase sempre quando a gente larga a expectativa de controle.

Cheguei a Porto Alegre achando que o dia estava resolvido: uma feira pela manhã, conteúdo feito, história contada. Mas essa viagem vem me ensinando justamente o contrário: quando a expectativa pesa menos, a experiência pesa mais.

E é aí que a foto deixa de ser um fardo.

Quando você não está tentando fazer a foto perfeita.
Quando você não está tentando produzir o trabalho perfeito.
Quando você não está tentando viver a vida perfeita.

Você está apenas vivendo.

>>> O convite que não estava no roteiro

Depois de postar o conteúdo da Feira da Praça Japão, recebi uma mensagem inesperada.
O Daniel Anzolin, presidente das feiras do Grupo Mercadão em Porto Alegre, entrou em contato comigo.

Ele me convidou para visitar a Feira do Parcão, conhecida por ser a primeira feira do Brasil a operar com energia 100% renovável, um marco importante de sustentabilidade dentro das feiras livres. Um convite incrível.

Mas havia um detalhe: a feira acontece a partir das 14h, e minha passagem para Campo Grande já estava comprada para 11h da manhã.

Não daria tempo.

Em vez disso, Daniel sugeriu que eu fosse à Feira da Medianeira, que estava acontecendo naquele momento. Uma feira fora do meu plano do dia. Fora da minha expectativa.

Eu estava cansado.
Não tinha almoçado.
Ainda não tinha tomado banho.

Mesmo assim, fui.

>>>> A feira que acontece para quem vai

Chegando à Medianeira, procurei o Heitor, da banca de carnes. Ele chamou o Pereira, segurança da feira, que se dispôs a caminhar comigo, apresentar as barracas, os feirantes, os detalhes.

Foi um conteúdo completamente diferente do que eu imaginava fazer naquele dia.
E exatamente por isso, muito melhor.

Existe uma frase que ecoa muito nessa viagem: quem vive, realiza.

Talvez seja isso.
Quem fica preso à expectativa se frustra.
Quem vive o que aparece, constrói.

>>> A foto de cabeça para baixo

E é aí que entra a foto que eu vou postar.

Uma foto tirada sem intenção.
Eu nem sabia que estava sendo fotografado.

Coloquei o óculos de forma errada, de cabeça para baixo, e isso acionou o gatilho automático. A foto saiu assim: invertida. O mundo de cabeça para baixo.

E, ainda assim, é uma das fotos mais verdadeiras dessa viagem.

Porque mesmo quando a vida parece estar virada, o queixo pode estar em pé.

Quando você está fazendo o que acredita,
quando você está em movimento,
quando você está vivendo de acordo com seus valores,
não importa a orientação da imagem — o sentido continua o mesmo.

Essa foto é prova disso.

Não foi pensada.
Não foi produzida.
Não foi planejada.

Ela simplesmente aconteceu.
Como essa feira.
Como esse convite.
Como essa viagem.

>>> A grandeza mora no detalhe

O Feirou Brasil vem me ensinando que a grandeza não está no grande passo.
Está no detalhe.

No tênis que você calça para sair.
Na porta que você abre mesmo cansado.
Na feira que você vai mesmo sem expectativa.
Na foto que você aceita mesmo imperfeita.

A vida não muda quando o ano vira.
Ela muda quando a atitude muda.

E essa feira de Porto Alegre, essa foto invertida, esse dia fora do roteiro, são mais uma prova disso.

Quando a foto deixa de ser fardo,
ela vira testemunho.

Não do que deveria ter sido,
mas do que foi.