Eu sei o que estou fazendo.

Essa viagem não é improviso, nem devaneio. É escolha. É consciência. É método, mesmo quando parece intuição. O Feirou Brasil é uma travessia pensada para contar a história do Brasil de hoje — não a que aparece nos discursos oficiais, mas a que se revela na rua, na feira, na conversa rápida e no olhar direto.

Estou andando pelo país para ouvir.

Ouvir os mais velhos, que carregam décadas de história e raramente são escutados.
Inspirar os mais jovens, que caminham comigo e precisam enxergar que há outros caminhos possíveis além do óbvio.
E registrar um Brasil que pede ajuda, mas que, ao mesmo tempo, quer ajudar.

Isso não é sobre romantizar a dificuldade. É sobre encará-la.

O Brasil que eu encontro não é feito só de problema. Ele é feito de gente. Gente que acorda cedo, que monta banca, que vende, que compra, que conversa, que ensina. Gente que vive numa economia real, onde o dinheiro troca de mão rápido, circula, sustenta famílias inteiras. É ali que o país acontece.

Dizem que não dá para abraçar o mundo.
Eu acredito que dá para abraçar o Brasil.

Talvez não de uma vez.
Talvez não com os dois braços.
Mas dá para abraçar esquina por esquina, feira por feira, cidade por cidade.

O Feirou Brasil é isso: uma caravana de redescobrimento do Brasil de verdade. Um Brasil que não cabe em planilha, mas cabe numa conversa. Que não aparece em relatório, mas aparece numa barraca improvisada. Que não está nos grandes anúncios, mas está no detalhe, no troco contado, no produto da estação, no café compartilhado.

Essa viagem não é um desafio.
Não é uma competição.
Não é um recorde.

É presença.

É estar onde as coisas realmente acontecem. É ir até onde o mapa precisa ser testado, corrigido, vivido. É olhar para o país sem filtro e sem pressa, entendendo que o Brasil não é um conceito abstrato, é uma experiência cotidiana.

O Feirou nasce dessa convicção: que conhecer o Brasil passa por andar o Brasil.
Que fortalecer a feira é fortalecer a cidade.
E que ouvir, hoje, é um dos atos mais revolucionários que existem.

Essa é a história que eu estou contando.
Com os pés na rua.
Com o ouvido atento.
Com o coração aberto.

Porque o Brasil de verdade não pede palco.
Pede presença.

E é isso que eu vim fazer.