Está ficando cada vez mais difícil editar e publicar os vídeos que faço nas feiras.
Hoje, por exemplo, filmei a Feira do Pedregal, aqui em Cuiabá. Uma feira verdadeira. Daquelas que a gente sente que está diante de algo importante. Os feirantes falaram com franqueza: críticas ao governo, críticas sociais, convocações diretas para que a população frequente mais a feira. Gente dizendo a própria verdade, sem filtro.
E aí começa o dilema.
Eu não quero cortar nada.
Não quero tirar absolutamente nada dos vídeos.
As histórias estão me interessando tanto, e eu estou tão conectado com o que os feirantes estão dizendo, que editar virou um exercício de contenção que eu não quero fazer. Cada fala parece necessária. Cada detalhe importa. Cortar seria empobrecer.
O problema é que a tecnologia não acompanha esse desejo.
O TikTok, que é onde eu faço a edição final, simplesmente engasga quando o vídeo passa de 10 minutos. A plataforma fica lenta, instável, transforma a publicação num obstáculo enorme. Uma montanha muito alta para escalar, e não por falta de conteúdo, mas por excesso de verdade.
Neste momento, estou no Pantanal Shopping, usando o Wi-Fi do shopping, tentando subir um vídeo que já está pronto, já está editado, já está contado. E a realidade é dura: estou gastando mais tempo tentando publicar o vídeo do que filmando a feira, conversando com os feirantes ou editando o material.
Subir o vídeo virou a parte mais difícil do processo.
Quanto maior o vídeo, maior o desafio. A internet falha. A plataforma trava. O upload não avança. E isso desgasta. Porque a vontade de mostrar aquilo que foi vivido é enorme, e a frustração de não conseguir entregar também.
A Feira do Pedregal merecia ser vista.
Merecia ser ouvida.
Merecia circular.
No meio desse perrengue todo, precisei resolver mais uma camada do problema: internet e comunicação básica.
Como eu já contei antes, eu esqueci um celular que era extra em Florianópolis — justamente o aparelho onde estava a linha principal da TIM. E sem esse telefone em mãos, eu não conseguia aumentar plano, validar SMS ou resolver nada pelo aplicativo. Resultado: fiquei sem internet, sem Uber, sem margem de erro. Um caos silencioso.
Fui então até uma loja da TIM aqui em Cuiabá. Expliquei a situação inteira. A solução sugerida foi simples e prática: comprar um novo chip local. E assim nasceu uma novidade inesperada dessa viagem, agora eu tenho prefixo 65. Sim, oficialmente “cuiabano” para quem quiser ligar.
O mais importante: voltei a ter internet. Voltei a conseguir chamar Uber. Voltei a conseguir me mover pela cidade sem aquele aperto constante de bateria acabando e conexão inexistente.
E como se não bastasse, a loja ainda me salvou de vez: eles me passaram o Wi-Fi de uma loja vizinha, um Wi-Fi forte, estável, funcionando de verdade. Foi ali, parado, sentado, com o celular finalmente respirando, que eu consegui subir o vídeo.
Depois de tudo isso, o vídeo foi.
E foi bonito.
Ficou do jeito que tinha que ficar.
Vou postar agora para vocês verem como o conteúdo de Cuiabá ficou show de bola. Não apesar do perrengue, mas por causa dele.
É mais um aprendizado da estrada: fazer é difícil, contar é difícil, publicar pode ser ainda mais difícil.
Mesmo assim, sigo tentando.
Porque essas histórias valem o esforço.
