Parei em Goiânia para lavar roupa.

Não foi por acaso, nem improviso total. Foi decisão. Quero chegar limpo em Brasília: de corpo e, se der, de alma também.

Sabendo que teria cerca de cinco horas de espera na rodoviária, resolvi usar esse tempo a meu favor. Sem pressa, sem correr risco de atrasar, sem aquela angústia de quem tenta encaixar tudo no último minuto. Às vezes, o melhor avanço é parar direito.

A lavanderia virou um pequeno refúgio no meio da viagem.

Trinta minutos para lavar.
Quarenta e cinco minutos para secar.

Com direito a tomada para carregar o celular, Wi-Fi funcionando, ar-condicionado e, talvez o mais importante, conversa.

Sentei ali e puxei papo com duas senhoras: uma de Campina Grande, outra de Ulianópolis, no Pará. Daquelas conversas simples que aparecem quando a vida desacelera um pouco. No meio do papo, aprendi algo curioso: Paragominas é a junção de Pará, Goiás e Minas. O Brasil se mistura até nos nomes.

Enquanto a máquina girava, eu também girava por dentro.

Roupa limpa é mais do que conforto.
É organização.
É cuidado.
É respeito com o próprio caminho.

Agora, com a mochila em ordem e o corpo mais leve, sigo para o próximo trecho. A ideia é tentar também chegar com a alma lavada, conhecendo uma feira em Brasília, ouvindo histórias novas, deixando que a cidade diga o que tem para dizer.

O Feirou Brasil segue assim: entre uma estrada e outra, aprendendo que avançar também passa por saber parar.