Essa viagem está intensa.
Muito intensa.
E, sobretudo, focadíssima no Feirou.
Eu estou falando do Feirou para todo mundo.
Sem pudor.
Sem timidez.
Como se não houvesse amanhã.
E, de certa forma, é isso mesmo: quando a gente acredita, a conversa vira catequese.
Hoje, um rapaz sentou ao meu lado e disse que estava em missão.
Perguntou se podia conversar comigo sobre a missão dele.
Na hora eu pensei:
ok… agora é a minha vez.
Ele começou falando da Bíblia.
Escolheu Abraão.
Logo Abraão, uma passagem que eu conheço bem.
O curioso é que, em poucos minutos, eu estava falando mais da Bíblia para ele do que ele para mim.
Falei de Ló.
Dos anjos recebidos em casa.
De Sodoma e Gomorra.
Da esposa de Ló, que olhou para trás e virou estátua de sal.
Falamos de fé.
Falamos de escolha.
Falamos do perigo de olhar para trás quando a vida pede movimento.
E aí…
entrei no verdadeiro evangelho da viagem.
Comecei a falar do Feirou.
Falei do projeto.
Do mapa das feiras.
Das feiras como lugar de encontro, de justiça cotidiana, de alimento real.
Falei do Brasil visto de baixo para cima, pela rua, pela banca, pela barraca.
Aí sim foi a catequese master.
No fim da conversa, fui direto:
“Amigão, não consigo comprar seus livros agora.
Não tenho como carregar mais nada.
Estou rodando o Brasil com a mala no limite.”
Mas completei:
“Faz uma coisa por mim: segue o Feirou agora.”
Ele seguiu.
E ali ficou claro mais uma vez:
às vezes a conversão não é de crença,
é de olhar.
Mais um seguindo o Feirou.
Mais um acreditando que a feira pode ser caminho.
Mais um na bênção de fazer a feira voltar a ser o lugar mais visitado pelos fregueses.
Amém.
