De Goiânia para Porto Velho, a viagem resolveu testar mais uma vez a capacidade de adaptação.

O ônibus precisou ser trocado em Cuiabá. Não foi pane, não foi acidente, não foi erro de rota. Segundo o motorista, era uma questão logística da própria empresa: o ônibus precisava chegar a Porto Velho com a numeração oficial correta. Resultado: parada inesperada na garagem da empresa.

Mais um ajuste no caminho.

Na garagem, o improviso virou cuidado. Banheiros completos, limpos, chuveiros disponíveis. Aproveitei o intervalo para tomar banho — um daqueles banhos que não são só de água, mas de alívio. A estrada cansa, o corpo pede pausa, e quando o básico funciona, tudo melhora.

Agora são 9h44 da manhã. Ainda sem muita fome. Talvez um café só para “dar uma vista”, como se diz na estrada. Ao lado da garagem tem um restaurante, mas o tempo ainda pede calma.

Foi ali também que troquei contato com o Ycaro, de Porto Velho. Conversa rápida, daquelas que já resolvem um problema grande. Ele me falou da Feira da Caixa d’Água, que acontece aos domingos, das seis da manhã às 13h. Essa feira virou prioridade absoluta.

Se a gente chegar a tempo, eu vou direto pra ela. Se precisar, vou de mochila mesmo. Porque segunda-feira, tudo indica, não tem feira em Porto Velho. Perder essa feira significaria ficar mais dias na cidade — algo que não está no planejamento.

E o planejamento, nessa viagem, já deixou claro que não manda em nada.

O ônibus novo chegou com o nome Gênesis escrito na lateral, mas a empresa se chama Gran. O que é o quê, exatamente, eu não sei. Mas também já entendi que nem tudo precisa fazer sentido imediato.

O que tenho aprendido é simples: coisas dão certo — ou dão errado — para que as próximas deem certo.

Essa viagem não se organiza por controle, mas por leitura do momento. Ajuste fino. Aceitação. Movimento.

Tudo segue fora do planejado.

E, curiosamente, tudo segue dando certo conforme os acontecimentos se apresentam.

Seguimos.

Com otimismo.

Com energia.

E com a feira no horizonte.