Maceió foi um dos capítulos mais desafiadores do Feirou Brasil até aqui.

Comecei o dia indo a uma feira indicada pelo site da prefeitura, mas ela praticamente não estava acontecendo. Poucos feirantes, movimento quase nulo e, embora todos tenham sido educados e receptivos na conversa, ninguém quis gravar.

Segui então para a Feira do Tabuleiro e encontrei um cenário ainda mais sensível. Os feirantes vivem um momento de incerteza por causa da mudança de local e das obras para um novo mercado. Vi apreensão, ouvi relatos fortes,  cheguei a ver feirante chorando, mas, na hora de registrar, a maioria preferiu o silêncio.

E eu respeito totalmente o silêncio de quem está atravessando tempos difíceis.

Ainda assim, algumas vozes confiaram no Feirou. Erick, Daniel, da barraca de utilidades, e uma feirante de frutas falaram comigo, mesmo com natural desconfiança. Também sou muito grato à feirante Neguinha, que fez essa ponte e ajudou o episódio a acontecer. Mesmo não querendo falar para meus óculos.

Eu queria ter mostrado mais de Maceió. Queria ter contado ainda mais histórias. Mas entendi rapidamente que aquele não era um dia de exposição, era um dia de cuidado.

O Feirou também é isso: saber a hora de filmar e a hora de apenas escutar.

Espero que a feira do Tabuleiro reencontre seu caminho e que a cidade siga valorizando quem acorda cedo todos os dias para manter essa tradição viva.