20 e poucas horas depois, cheguei a Campo Grande.
Cheguei, cheguei! Como no meme.
E nem dá para acreditar que eu nasci num país assim.
O Brasil é foda.
Foda mesmo. Um palavrão com todas as honras do til.
Passei praticamente a viagem inteira igual a uma criança olhando pela janela do ônibus. Não sei se as pessoas já se acostumaram ou se simplesmente não sentem o mesmo deslumbramento que eu, mas aquela paisagem me hipnotizou. A janela virou uma tela mais interessante do que o celular. O desafio era não querer fotografar tudo.
O que eu via ali não era só verde. Era o Cerrado, o bioma predominante dessa região do Brasil central. Muitas vezes chamado de savana brasileira, o Cerrado é exatamente isso: uma das savanas mais biodiversas do planeta. Um bioma de árvores retorcidas, campos abertos, céu largo e uma força silenciosa que sustenta nascentes, rios e boa parte da vida que corre pelo país. É ali que nasce água para o Brasil inteiro, mesmo quando pouca gente percebe.
A viagem foi longa também porque o ônibus para muito. Em cada rodoviária, cerca de 20 minutos. Embarque, desembarque, malas, passageiros. Volta para a estrada, embala de novo. Cada parada acorda a gente. Cada retomada parece reiniciar o corpo. Isso cansa, claro. Mas faz parte do caminho.
Em compensação, uma coisa chamou atenção: a simpatia.
Todos os restaurantes onde paramos tinham atendentes extremamente gentis. Um acolhimento simples, direto, sem pose. A sensação é de que a hospitalidade faz parte do jeito de ser do povo daqui. E isso muda tudo.
Antes mesmo de sair da rodoviária, já postei no Instagram que o Feirou chegou a Campo Grande. E as respostas vieram rápido. Mensagens de perfis de feiras, de expositores, de gente querendo mostrar, contar, participar. Chegar a uma capital com esse nível de receptividade faz toda a diferença. Dá confiança. Abre conversa. Facilita o encontro.
E o Feirou vive disso: encontro.
Agora é ver o que Campo Grande guarda pra gente.
O Brasil está lindo.
E é um privilégio enorme poder conhecer meu país assim, tão de perto, tão por dentro, na companhia dos seus moradores brasileiros como eu. E, claro, de alguns visitantes estrangeiros também. Porque o Brasil é isso: diverso, aberto e maior do que qualquer rótulo.
Seguimos…. Não, pera! ERRATA: Não cheguei a Campo Grande.
>>> Atualização de rota
Quando achei que a chegada estava próxima, veio a surpresa: a viagem não teria “só” 20 horas. Ao conferir o geolocalizador da companhia, descobri que ainda faltavam mais 6 horas e 15 minutos. No total, 30h15 dentro do ônibus.
Ou seja: vou precisar dormir em Campo Grande. Afinal chegar às 17:15 não vai permitir que eu filme uma feira, vá tomar banho na academia e ainda encontre uma passagem a tempo. Seria pedir muito. Tá difícil encontrar passagem do dia pro dia.
Curiosamente, isso não soou como problema. As próprias feiras que entraram em contato comigo já tinham avisado: aqui o calor é forte, e por isso muitas feiras acontecem à noite, justamente para preservar os alimentos e tornar a experiência mais agradável. Talvez o tempo esteja só abrindo outra possibilidade de encontro.
Então sigo assim: sem pressão, sem forçar o roteiro, tentando não escrever o futuro antes de ele acontecer.
A viagem me lembra, o tempo todo, que nem tudo se controla, mas tudo se atravessa. Agora é ter paciência, viver o que vier e, só depois, contar.
Campo Grande me espera um pouco mais.
E eu sigo, no ritmo que a estrada permitir.








