Alguns acontecimentos dessa viagem parecem ter acontecido na minha cabeça antes mesmo de acontecerem na vida real.
Foi assim na loja do Gepeto, aquela que fabrica o Pinóquio. Quando falei da colcha de fuxico que minha avó fazia, aquela conversa já existia em mim antes de existir ali. Ela só se confirmou.
E outros trechos dessa viagem também estão sendo assim.
Situações que primeiro acontecem na minha mente para depois acontecerem no mundo.
Isso acontece comigo muitas vezes.
E com o Feirou é assim também.
Eu já vejo o Feirou acontecendo no Brasil inteiro. Antes de acontecer.
Agora estou na rodoviária de Curitiba, esperando o ônibus para Florianópolis. Estou escrevendo enquanto aguardo o embarque. Partiu Floripa.
O ônibus sai às 10h20 e chega lá por volta das 4h30 da manhã.
Como eu já previa, segunda-feira não tem feira em Florianópolis. Na maioria dos lugares do Brasil, segunda-feira não é dia de feira livre. É o dia de descanso do feirante. Por isso, desde o começo, eu tinha programado as segundas-feiras para serem dias de trânsito.
Mas, como vocês já sabem, Curitiba deu uma embaralhada nessa viagem.
Agora vou chegar em Florianópolis numa segunda-feira e, de qualquer forma, vou precisar ficar um dia na cidade para poder visitar a feira na terça-feira. Faz parte.
Já encontrei um lugar simples no centro, uma espécie de hostel, com diária de R$ 70. Achei ótimo. É perto da feira que eu quero ir, facilita tudo e resolve a logística. Vai dar certo.
Estou pegando o ônibus agora, saindo da rodoviária de Curitiba.
Curitiba foi demais.
Uma cidade magnífica.
Espero voltar em breve.
Agora é estrada, pensamento, descanso e chegada.
Florianópolis me espera.
ps.
A viagem de Curitiba para Florianópolis também não foi das melhores.
Tive problemas para carregar o celular durante o trajeto. Ainda bem que trouxe um aparelho antigo como reserva, porque o principal começou a dar sinais de que ia me deixar na mão.
Na primeira tentativa de carregar o telefone no teto do ônibus, usando o único cabo USB curto que eu tinha, o celular escorregou. Caiu direto na pessoa sentada no banco de trás. Por pouco não virou uma tragédia: ela estava com um tablet aberto. Se a tela quebra, a viagem inteira desanda.
Por sorte, a queda não afetou ninguém.
Respirei aliviado.
Depois disso, passei um bom tempo tentando encontrar um ponto de equilíbrio improvável, até que consegui apoiar o celular na corda da cortina do ônibus. Ali, finalmente, ele ficou carregando.
Na foto abaixo não parece nada equilibrado.
Mas estava.
Às vezes, na estrada, é assim mesmo: não é bonito, não é ideal, mas funciona.




