Fazer essa viagem e, ao mesmo tempo, escrever o blog tem se mostrado mais complexo do que eu imaginava.
As coisas vão se embaralhando. Muita coisa acontece em um único dia e, quando eu percebo, já estou em outro estado. As viagens de ônibus cansam. O corpo sente. A cabeça também. Às vezes acordo sem saber exatamente onde estou, que cidade é essa, que feira foi essa, qual história ainda precisa ser contada.
O que começa em um dia, às vezes termina no outro.
E tem coisa que se sobrepõe.
Eu fico me perguntando se já escrevi sobre determinado momento ou se ainda não. Se estou repetindo uma história ou se ela só parece repetida porque ainda não foi devidamente organizada. Com essa intensidade de deslocamentos, fica difícil saber exatamente onde começa e onde termina uma narrativa.
Mas está tudo certo.
Essa confusão também faz parte do processo. O Feirou Brasil não é uma linha reta. É um emaranhado de experiências, encontros, feiras, ônibus, rodoviárias e cidades que se cruzam o tempo todo.
Hoje, pelo menos, eu vou ter um tempo aqui em Porto Alegre. Um respiro necessário. Um espaço para colocar a cabeça no lugar, olhar para o que já passou e escrever com mais clareza.
Às vezes, para seguir em frente, é preciso parar para organizar o caminho.
E isso também faz parte da viagem.
A ideia é construir memórias, o desafio é memorizar quando tudo parece importante.
