Hoje fui filmar a Feira Livre do Dom Bosco, em Goiânia.
E acho que eu estava com uma cara tão clara de quem estava passando fome que a feira percebeu antes de mim.

Quando comecei a conversar com a proprietária da Barraca Boutique das Frutas, a primeira coisa que ela me perguntou não foi quem eu era, nem o que eu fazia ali.

Foi simples e direta:

— “Você já tomou café da manhã?”

Então é isso. Eu estava com cara de fome mesmo.

E, de certa forma, estava. Não só de comida, mas de feira.

A conversa com ela foi ótima, daquelas que fluem fácil, sem pressa. O vídeo já está publicado e carrega exatamente isso: a naturalidade de quem trabalha ali todos os dias e entende a feira como extensão da própria vida.

Seguindo pela feira, encontrei um personagem que parece roteiro pronto de televisão: Catalãozinho, o rapaz do milho.
Sim, o Catalãozinho.
O mesmo que já foi parar no Fantástico, que já apareceu com a Ana Maria Braga, conhecido por ser o homem que corta milho mais rápido do mundo.

E lá estava ele. No Dom Bosco. Na minha frente.
A feira fazendo o que a feira faz melhor: cruzando histórias improváveis como se fosse a coisa mais normal do mundo.

Conversei também com o Pelé, conhecido assim mesmo, vendedor de guariroba — raiz que é identidade, tradição e gosto adquirido. No vídeo, o nome dele aparece certinho, mas o apelido diz muito sobre como a feira cria seus próprios personagens.

Mais adiante, parei na barraca do senhor do biscoito de polvilho, doce e salgado.
Comi um biscoito doce com canela.
Tomei um café ali mesmo, em pé, conversando.
Daqueles cafés que não estão no cardápio, mas fazem parte do ritual.

Passei ainda pela barraca da pamonha, porque Goiânia não se explica sem milho bom. Milho fresco, colhido no tempo certo, que muda tudo. A pamonha daqui não é fama à toa, é consequência da qualidade do que vem do campo.

Um detalhe que muda tudo: eu fui a pé do hotel até a feira.

E isso faz toda a diferença.

A Feira do Dom Bosco é feira de bairro. Feira de quem mora ali. Feira que faz sentido para quem acorda cedo, atravessa a rua e resolve a vida. Para quem escolhe onde morar pensando se tem feira perto.

É por isso que o Feirou existe: para que as pessoas encontrem a feira mais perto de casa.
E para lembrar que morar perto de feira é qualidade de vida.

Viajar pelo Brasil sem passar pela feira é conhecer só a superfície.
É na feira que a cidade se revela de verdade.
Não no cartão-postal.
Não no shopping.
Mas no balcão, no milho, no café, na conversa curta e honesta.

Goiânia me encantou.
De novo.

E essa viagem segue assim: uma sequência de descobertas, mesmo com cansaço, mesmo com cara de fome.
Porque cada feira me ensina mais sobre o Brasil,  e sobre as pessoas que fazem esse país existir todos os dias.