Na terça-feira, 6 de janeiro de 2026, eu consegui fazer em Florianópolis aquilo que o Feirou Brasil se propõe desde o início: um circuito real de feiras, andando pela cidade, conferindo o que está no mapa e o que de fato acontece na rua.
Foi muito legal.
Muito mesmo.
Segundo as informações oficiais, dez feiras livres aconteceriam hoje em Florianópolis, das 6h às 12h. A ideia era simples: sair cedo, caminhar pelo centro e passar por três feiras que ficavam mais próximas do hostel onde estou hospedado.
Comecei saindo do hostel em direção à Feira da Rua Major Costa.
Confesso que fui com um certo receio. A rua sobe o morro e eu não conhecia bem essa região de Florianópolis. As notícias recentes sobre o desaparecimento de jovens na cidade deixam qualquer pessoa mais atenta, mais ressabiada. Caminhei observando tudo. O fato de ver muitas mulheres circulando pela rua me trouxe uma sensação maior de segurança — ainda que isso revele um problema estrutural do país, onde a segurança feminina ainda é uma preocupação constante.
Inclusive, ao longo da caminhada e das abordagens, tive um cuidado grande. Sempre mantenho distância, fico do outro lado da rua ou do carro quando falo com mulheres. A gente sabe o país em que vive. Segurança também passa por postura.
Perguntei a moradores do bairro sobre a feira da Major Costa. Uns diziam que era no final da rua, outros diziam não conhecer. Caminhei a rua inteira. A feira não estava lá.
Primeira constatação do dia: o mapa dizia uma coisa, a rua mostrava outra.
Segui então para a feira da Rua Conselheiro Mafra. E ali percebi que era a feira que eu já tinha filmado no dia anterior, em frente ao Mercado Público de Florianópolis. Mesmo assim, aproveitei para registrar mais um pouco e conversar com uma barraca tradicional de bolachas, muito comuns em Florianópolis — algo que não é tão presente em feiras de São Paulo ou do Rio de Janeiro.
Depois, fui para a terceira e última do circuito: a Feira do Largo São Sebastião, também conhecida por muitos como Praça dos Namorados.
Ali, sim, a feira estava acontecendo em local quase preciso.
Era essa a feira que anunciava venda de ostras, algo bem característico da região. Perguntei ao feirante e ele explicou que, naquele dia específico, não teria ostra. Faz parte da dinâmica da feira — e é exatamente esse tipo de detalhe que só aparece quando você está ali, olho no olho.
Conheci o Gabriel, feirante muito simpático, aberto, interessado no projeto. Conversamos, ele entendeu a proposta do Feirou e explicou algo importante: as informações não estavam exatamente erradas — muitas feiras estão em recesso, e poucas estavam funcionando naquele dia.
Ou seja, das dez feiras anunciadas para a terça-feira em Florianópolis, apenas essa estava ativa.
E eu dei sorte.
Às 8h23 da manhã, eu já tinha fechado o circuito. Não das dez feiras do papel, mas das feiras possíveis da realidade. Foi um êxito. Um sucesso do jeito que o Feirou entende sucesso: conferindo, corrigindo e registrando.
Esse dia deixa uma coisa muito clara: o maior problema não é a ausência de feiras. É a desinformação sobre elas.
E é justamente aí que o Feirou Brasil existe.
Para ajustar o mapa ao chão.
Para trocar planilha por caminhada.
Para fazer o que só dá pra fazer indo.
Florianópolis me mostrou isso logo cedo.
E o Feirou segue, feira a feira.
