Durante muito tempo, eu viajei com mochilas gigantes.

Já fiz mochilão pela Europa e pelo Brasil carregando aquelas mochilas enormes, cheias de sistemas para prender no corpo, alças, ajustes, barrigueiras e presilhas. A minha era uma mochila da Deuter, marca tradicional de mochilas de trekking, conhecida pela resistência e pela proposta de longas expedições. Uma mochila excelente, mas gigante.

Era o maior tamanho possível que uma pessoa consegue carregar. Algo em torno de 50 litros ou mais. Junto dela, vinha uma mochila menor, acoplável, que a gente chama de mochila de ataque. Essa, sim, eu uso até hoje. É pequena, prática, cabe um computador, um óculos, alguns objetos essenciais. Essa ficou. A grande, não.

Com o tempo, eu aprendi uma coisa simples: a gente não usa o que carrega numa mochila gigante.

Você leva roupa demais, peso demais, expectativa demais. E ainda tem um problema prático que ninguém fala: roupa suja dentro da mochila acaba contaminando tudo. O cheiro passa para as roupas limpas, a organização vai embora e a sensação de peso só aumenta.

Hoje, faço o oposto.

Viajo com uma mochila pequena, com cerca de sete trocas de roupa. Uma semana. Nada além disso. Quando a roupa acaba, eu lavo, exatamente como faço na minha vida cotidiana. Resolve. Não precisa mais do que isso.

Esse aprendizado não veio de teoria. Veio de estrada.

Em hostels e albergues, como agora em Florianópolis, eu sempre vejo a mesma cena: pessoas com mochilas enormes, quase do tamanho do próprio corpo, tentando se deslocar, subir escadas, dividir quartos, organizar armários. E quase sempre usando muito pouco do que carregam.

Aqui mesmo, tirei uma foto da minha mochila ao lado de outras, só para efeito de comparação. Fica claro: menos peso é mais liberdade.

Agora, imagina rodar o Brasil inteiro — 27 capitais — carregando uma mochila gigante dessas. Não dá. Não faz sentido. O corpo cansa, a mente pesa e a viagem perde fluidez.

O Feirou Brasil é uma viagem longa, mas não é uma expedição de sobrevivência. É uma travessia urbana, feira a feira, cidade a cidade. Precisa ser leve.

Esse é um aprendizado que eu já tinha quando comecei. E ainda bem. As costas agradecem.

Porque viajar leve não é abrir mão de conforto.
É abrir espaço para seguir andando.