São Paulo, 01 de janeiro de 2026

Hoje seria o aniversário do meu avô Manuel.

Não sei se foi coincidência, destino ou só o tempo se manifestando do jeito dele, mas é hoje que eu saio de São Paulo para começar o Feirou Brasil.

Meu coração está apertado.

Na cabeça, dúvidas.

No estômago, um embrulho constante.

Acredito que essa viagem começou ainda no elevador do meu prédio.

Estou levando poucas coisas e muitas ideias.

Seis trocas de cueca e meia.

Um casaco. Uma calça.

Três bonés do Feirou.

Duas bermudas.

Algumas regatas e camisetas.

Tudo cabe em uma mochila simples.

O que nunca caberia nela são as minhas ideias de mudar o Brasil.

Ficar na sala assistindo ao show da virada acabou sendo um estímulo.

Os mesmos artistas.

Os mesmos fogos, que a cada ano batem recordes de minutos.

Os mesmos personagens repetindo promessas vazias de mudança.

Eu não aguentei.

Não porque o ano virou,

mas porque eu virei no meio dele.

Sem fogos.

Sem fumaça.

Mas com força.

A força da feira.

A força dos feirantes.

Tenho certeza de que o Feirou Brasil é a caminhada certa.

A caravana da mudança.

Eu sei que vou sozinho.

Mas também sei que não vou voltar sem o Brasil do meu lado.

Um Brasil que dizem estar polarizado, mas que, na prática, parece preso entre dois polos negativos que se repelem sem sequer entender quem são ou o que representam.

Essa representação virou um castelo de cartas.

E talvez já devesse ter sido retirada do nosso baralho.

A feira tem outra lógica.

Ela une fazendo.

Com força.

Com fé.

Com trabalho.

Precisamos fazer mais e falar menos.

E o Feirou também é isso:

atitude, ação e mudança de comportamento.

Quero vocês comigo nesse dia a dia da feira.

Na rua.

No contato.

No olho no olho.

Começando por Curitiba.

E seguindo por todo o Brasil.

Vamos.

Porque quem acorda pra feira, acorda pra tudo.