A primeira noite de viagem — ou de sono — no ônibus não foi nada boa.

Peguei a primeira poltrona do corredor, a número 4, e caí ao lado de um senhor muito espaçoso, que apoiava o cotovelo direto na minha costela. Não dormi. Em determinado momento, tentei mudar de lugar e encontrei uma cadeira dupla vazia mais atrás. Parecia uma vitória.

Durou pouco.

Um rapaz sentado atrás de mim deixava o despertador tocar ininterruptamente. Às vezes desligava. O suficiente para não acostumar com o som, mas também não resolver o problema. Cada vez que o alarme tocava, o corpo inteiro despertava junto.

Tudo isso sem falar do cheiro.

Um cheiro forte, de queijo podre, que parecia invadir não só o ônibus, mas a cabeça. Era impossível ignorar.

O ônibus levava, claramente, trabalhadores. Alguns usavam capacetes de proteção. Não sei exatamente de onde vinham ou para onde iam, mas dava para sentir que aquele não era um ônibus de passeio. Era deslocamento real. Gente indo trabalhar.

Às cinco da manhã cheguei à Rodoviária de Curitiba.

A primeira missão foi encontrar um banheiro para trocar a calça por uma bermuda. Desde São Paulo, o calor do verão já estava no ar, e ali não seria diferente.

De bermuda, comecei a procurar uma feira livre para aquela sexta-feira de manhã. Encontrei a Feira Livre Cristo Rei, na Avenida Visconde de Guarapuava, 1066.

Antes de sair, perguntei ao segurança da rodoviária se a feira realmente acontecia naquele horário. Ele achava que sim. Disse que era melhor esperar um pouco antes de chamar o Uber, para a corrida sair mais em conta.

Resolvi dar esse tempo ali mesmo.

Fui até a lanchonete da rodoviária e pedi um café com pão de queijo.

R$ 14.

Sentei, respirei e fiquei observando o movimento.

Trabalhadores chegando. Gente saindo. A cidade acordando.

Estou animado.

Usei esse tempo também para escrever este post.