A primeira tarde/noite em Campo Grande foram inesperadas, como já era de se esperar.
E como tudo o que vem acontecendo no Feirou Brasil.
Um inesperado maravilhosamente surpreendente.
Toda vez que a gente acha que uma cidade que passou foi o melhor ponto da viagem, vem outra mostrando que o melhor está sempre por vir. Campo Grande foi gigante logo de cara. Na primeira tarde. Na primeira noite.
E mais uma vez, a estrada me apresentou pessoas que parecem anjos. Gente que aparece no momento certo, sem alarde, só para fazer o caminho acontecer.
Foi assim com o Carlos, o Uber de 22 anos que virou amigo em poucos minutos. Gente fina demais. Gente boa até umas horas. Ele me levou primeiro à Feira Central, uma feira mais turística, mais voltada para comida pronta, para a galera ir à noite comer, sentar, viver a cidade. Sobá, yakisoba, aquele clima de encontro que faz parte da identidade de Campo Grande.
Em seguida, ele virou para mim e disse:
— Você quer ir numa feira de rua de verdade?
Eu respondi que era exatamente isso.
“Bota aí no mapa do Feirou a feira que você quer ir que eu te levo.”
E foi assim que a noite ganhou outro rumo.
Fomos para uma feira menor. Simples. Humilde. Daquelas que não aparecem em guia turístico nenhum. E é justamente esse tipo de feira que mais me toca. Essas feiras genuínas, de bairro, de conversa curta e trabalho longo. Eu gosto de estar nelas. Gosto de poder ajudar a divulgar, de dar visibilidade, de contribuir para que cresçam sem perder o que são.
Ali conheci três feirantes espetaculares. Conversas rápidas, mas profundas. Daquelas que ensinam muito sobre força de vontade, sobre persistência, sobre feira — e, no fundo, sobre o Brasil.
Depois, seguimos para a Feira Cultural Baobá, um outro universo. Mais cultural, mais diversa, cheia de identidade. Lá conheci uma baiana do acarajé sensacional, daquelas que a gente sente gratidão só de provar a comida. Conheci também o chef Henrique, que me apresentou um hambúrguer de avestruz surpreendente — delicioso, diferente, feito com cuidado. Conheci um rapaz que vendia facas, uma família inteira ali junta, admirando, valorizando, vivendo daquilo.
Foi tudo muito bonito.
Saí da Baobá com a sensação de que Campo Grande me recebeu de braços abertos. Uma cidade que não faz barulho para impressionar, mas entrega profundidade para quem chega disposto a olhar.
Amei minha primeira tarde e minha primeira noite em Campo Grande.
Amei de verdade.
Agora fico só pela manhã. Vou tentar visitar uma feira de rua cedo e, em seguida, sigo viagem para Cuiabá, capital do Mato Grosso.
Mas Campo Grande já deixou marca.
E quando a cidade marca logo na chegada, a gente sabe que viveu algo especial.
Seguimos.