Saindo de Porto Alegre em direção a Campo Grande, encontrei uma paz que não sei explicar, mas sei reconhecer.

Ela veio simples.

Veio no banco do ônibus.

Veio na paisagem verde passando pela janela.

Veio ao som de Trem do Pantanal, de Almir Sater.

Não conhecia a música. Descobri quase por acaso, buscando um jeito de anunciar minha chegada ao Mato Grosso do Sul. Mas algumas coisas não são acaso. Algumas coisas são encontro. E naquele momento, a viagem entrou nos trilhos.

De repente, o roteiro deixou de pesar.

A ansiedade se dissolveu.

O medo de não encontrar feira, de errar o caminho, de não dar conta… tudo isso ficou para trás.

Porque Porto Alegre me deu uma certeza: eu vou chegar.

Os feirantes gaúchos abraçaram o Feirou. Abriram conversa, abriram histórias, abriram portas. E quando um povo te abraça, você entende que não está sozinho. O Sul inteiro já Feirou, e isso é grande. Isso é sinal.

É impressionante perceber o que somos capazes de fazer quando seguimos adiante, mesmo sem garantias. Confesso: estou arrepiado agora, escrevendo isso no banco do ônibus. Não por euforia. Mas por equilíbrio. Por estar confortável com o meu tempo, com o meu passo, com o meu momento.

Sinto uma paz tranquila.

Uma vontade genuína de viver.

De ver, ouvir, aprender mais sobre esse país tão grande em território, tão imenso em gente e tão profundamente desequilibrado em oportunidades.

Vivemos em um país onde tudo o que se planta cresce.

Onde a terra responde.

Onde o trabalho responde.

E ainda assim, poucos colhem muito e muitos colhem pouco.

Por isso, a minha escolha é clara: eu quero plantar essa ideia.

Plantar a ideia de um país melhor para todos.

Convocar quem tem pouco, porque a mudança também nasce da base.

Provocar quem tem muito, porque responsabilidade não é caridade.

Expor, sem ódio, a falta de compromisso histórico de uma burguesia que atravessa gerações concentrando riqueza, formando filhos para ignorar seus próprios compatriotas e devolvendo migalhas em nome de uma falsa benevolência.

Isso não é guerra interna.

Isso é clareza.

Quando o caminho e o destino estão claros, não há conflito, há direção.

O Feirou Brasil é isso: um movimento simples, mas firme. Um passo de cada vez. Feira a feira. Pessoa a pessoa. Olho no olho. Rua por rua.

Vamos chegar.

E vamos chegar juntos.

Porque um país só se constrói quando ninguém caminha sozinho.